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sábado, 24 de setembro de 2016

A igreja a serviço da política

O teto dourado de uma igreja ortodoxa russa que está sendo construída às margens do rio Sena, em Paris, França, se destaca na paisagem. Dominada por prédios governamentais e embaixadas, a área foi escolhida pelo presidente russo, Vladimir Putin, para a construção de um “centro cultural e espiritual russo”. Putin conseguiu do governo parisiense a concessão para a construção, mas não sem despertar dúvidas do serviço de segurança francês, que desconfiava que a Rússia estaria criando um centro de espionagem no coração de Paris.
No entanto, a inteligência francesa deixou passar despercebido um pequeno detalhe. Embora tanques e artilharia sejam as armas preferidas de Putin para projetar seu poder, ele vem usando a religião para expandir a influência do país. Inimiga fervorosa da homossexualidade e de qualquer tentativa de colocar direitos humanos acima dos valores familiares tradicionais, a igreja ortodoxa russa ajuda Putin a retratar seu país como um aliado natural daqueles que pregam por um mundo mais seguro, menos liberal e livre da quebra de tradições da globalização, dos direitos das mulheres e dos homossexuais.
Graças à estreita aliança entre a igreja ortodoxa russa e o Kremlin, a religião teve um papel central para manter antigos países da união soviética sob a influência russa. Em Moldova, por exemplo, sacerdotes ortodoxos leais a Moscou têm trabalhado de forma incansável para impedir que seu país se integre ao Ocidente.
“A voz da igreja e a voz de políticos russos, não todos, mas a grande maioria, são a mesma. Para mim, a Rússia é a guardiã dos valores cristãos”, disse Marchel Mihaescu, um bispo ultraconservador de Moldávia. Aos seus fiéis, Mihaescu disse que o novo passaporte biométrico criado pela União Europeia é “satânico” porque contém 13 dígitos. Ele também tentou sabotar a lei do país que proíbe a discriminação de gays no ambiente de trabalho afirmando que ela iria despertar a ira de Deus e romper as relações do país com a “mãe Rússia”. “A igreja se tornou um instrumento do estado russo. Ela é usada para estender e legitimar os interesses do Kremlin”, disse Sergei Chapnin, e ex-editor do jornal Moscow Patriarchate, controlado pela igreja ortodoxa russa e suas afiliadas fora do país.
O papel da igreja ortodoxa russa em Paris somente ficará claro, de fato, quando ela for inaugurada. Porém, os que estudam os métodos de Putin preveem que ela servirá de “megafone” para a busca de Putin por influência global.
Ela será um contraponto aos ideais laicos e de liberdade da França e aqueles que se identificam com seu viés ultraconservador e antimoderno verão na Rússia um bastião de seus valores. (FONTE)
Achei muito interessante esta noticia porque a situação se repete do lado de cá do Atlântico e do Equador. Não, não foi a construção de igrejas ortodoxas em locais bacanas. Se bem que aqui andam construindo igrejas em locais bem caros também. A semelhança se dá por conta da influência do governo na igreja, e o seu uso como instrumento na perpetuação no poder. No caso aqui, primeiro foi na tomada do poder.
Nem precisa, mas vou explicar.
Uma coisa chamada bancada evangélica trabalhou sistematicamente na oposição à presidente eleita, a partir do dia seguinte à apuração dos votos, em estreita colaboração com os candidatos derrotados na eleição.
Uma coisa chamada bancada evangélica trabalhou em peso na formatação do golpe parlamentar que depôs a presidente eleita.
Essa coisa, que antes escondia de suas congregações passagens bíblicas como Romanos 13:1-7, preferia outras como Provérbios 29:2 (“quando os justos governam, alegra-se o povo; mas quando o ímpio domina, o povo geme”), insinuando que a situação do país ia mal por culpa de um governo demoníaco, e que com a sua saída o país seria um paraíso na Terra. Eu mesmo recebi essas passagens bíblicas, digamos, selecionadas a dedo, de muitos evangélicos, alguns bem intencionados, outros nem tanto.
Essa bancada “evangélica” mudou radicalmente de posição. Antes, malhava o governo, diariamente. Em sessões no Congresso, em entrevistas combinadas com jornais, rádios, revistas e emissoras de TV simpáticas ao golpe. Em programas de televisão, em postagens do Twitter e do Facebook, em vídeos do Youtube, e evidentemente, em sermões eclesiásticos. Mas agora, da noite para o dia, incentiva seus tentáculos espalhados pelo país a 
fazer campanhas de oração em favor “do Brasil e do governo”, para que “tenhamos paz”. Leia aqui um exemplo. Sim, precisamos de paz, mas eles não se lembram (ou melhor, se esquecem) de quem começou a confusão, em 5 de outubro de 2014.
Assim como Vladimir Putin usa a igreja ortodoxa russa – com ou sem conivência ou conhecimento dos sacerdotes, talvez nunca saibamos – certas correntes políticas do lado de cá também usam (principalmente) a igreja evangélica para seus propósitos. Aqui eu aposto todas as fichas que os “sacerdotes” sabem de tudo. Faz parte de um projeto de poder que eu venho expondo há anos, em todos os artigos que postei sobre o “dominionismo”.
Bem, aí está.
A bem da verdade, o clero sempre foi ávido pelo poder temporal. Desde que o cristianismo virou religião oficial do império romano, e sentiu o gostinho de mandar em todo mundo (inclusive na política), o poder mundano se tornou sua ruína. Durante toda a Idade Média, papas coroavam imperadores e reis, e governavam o reino do espírito e o da carne, o mundo. Na revolução francesa, o clero foi banido, junto com a sua amiga a nobreza, mas logo se alinhou com os novos senhores do mundo, a burguesia. E com ela segue junto até hoje. Inclusive na Rússia e na China, pós-comunistas, onde existe uma igreja venal, vendida, como a brasileira, mais interessada nos negócios terrenos do que nos celestiais. Em todas as denominações ditas cristãs, diga-se. 
O projeto de poder está chegando aos “finalmente”. Basta você ver, no noticiário, todos os dias, o desmonte progressivo da democracia. Você vê todos os dias as investigações seletivas endereçadas a algumas personagens, enquanto outros, sabidamente criminosos, continuam tão livres como sempre. Com apoio da “bancada evangélica” e de figuras abomináveis travestidos de pastores.
Como o pastor de uma igreja em Curitiba, que apoia abertamente um candidato acusado de roubas obras de arte do patrimônio público para instalá-las em sua propriedade particular. O candidato que diz que vomitou ao sentir cheiro de pobre (veja aqui). Não por acaso, o procurador que apresentou denúncias contra o ex-presidente Lula numa apresentação de Power Point tão tosca que virou “meme” e recebeu recordes de gozações, não por acaso, esse procurador é membro consagrado dessa igreja e tido como herói.
É por isso que está a cada dia mais difícil ser chamado de evangélico hoje em dia.
Mas eu falo disso outro dia, quem sabe.

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